Transtorno Bipolar
Oscilações que podem ser gerenciáveis
Oscilações que podem ser gerenciáveis
O Transtorno Bipolar afeta cerca de 2 a 3% da população brasileira, aproximadamente 5-6 milhões de pessoas, com episódios maníacos, hipomaníacos e depressivos alternados que impactam drasticamente a vida profissional e pessoal. Em 2024, transtorno afetivo bipolar foi o 4º maior motivo de afastamentos por saúde mental no Brasil (51.314 casos), atrás apenas de ansiedade e depressão, em um recorde de 440 mil afastamentos totais. Tendência esta que aparentemente poderá persistir em 2026 com o estresse pós-pandemia e automação laboral.
O Transtorno Bipolar é definido pelo DSM-5-TR como desregulação afetiva crônica com fases distintas de mania (euforia, grandiosidade, impulsividade, redução de sono) e depressão profunda (anedonia, fadiga, ideação suicida). O Transtorno Bipolar tem forte base genética (80% herdabilidade) e surge tipicamente antes dos 30 anos. O Tipo I inclui mania plena (1% prevalência); Tipo II, hipomania + depressão mais longa (até 2%). Quando não tratado, é progressivo, elevando a possibilidade de suicídio.
Em 2026, diagnósticos crescem com telepsiquiatria e conscientização; porém, subdiagnóstico em adultos disfarça como "burnout criativo" que se caracteriza por exaustão emocional, física e mental associada à produção criativa, resultando em bloqueio generalizado de ideias, perda de motivação e sensação de que "a criatividade secou". Diferente do bloqueio criativo pontual (relacionado a um projeto específico), o burnout criativo é crônico e generalizado, impactando toda a capacidade inovadora. No mercado de trabalho, as manias impulsionam produtividade inicial, mas os nomeados “crashes” seguem a fase depressiva destruindo carreiras, muito comum em transições profissionais. Os fatores agravantes são as redes sociais que podem amplificar os impulsos; a tecnologia e modernidade que podem gerar medo da irrelevância.
Os tratamentos avançam bem com estabilizadores de humor somados a antipsicóticos atípicos que podem controlar até 70% dos casos; A Terapia Cognitvo Comportamental (TCC) e a Psicoeducação reduzem recaídas em até 50%; Os aplicativos de monitoramento de humor e Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) podem ser indicados para casos mais resistentes, porém indicadas por profissionais hablitados. Como psicólogo clínico, enfatizo o diagnóstico precoce via CAPS/psiquiatra, mas um diagnóstico não define quem você é!
Em casos de urgência ligue CVV 188. A ajuda é possível.
Cleber Ferraz, Psicólogo Clínico e Organizacional - CRP-SP: 06/224937.
"As informações descritas tem como objetivo esclarecimento/conscientização e não substituem avaliação clínica realizada por psicólogo habilitado em sessão individual.”
Referências Bibliográficas
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